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Pesquisadores transformam luvas e balões de festa descartados em artefatos de borracha

  • Publicado: Sexta, 03 de Julho de 2009, 12h31
  • Última atualização em Segunda, 19 de Março de 2018, 20h31

 Pesquisa combinou serragem com resíduos de borracha

 

Serragem, balões de festa e luvas aparentemente não têm nada em comum. Mas uma pesquisa do Laboratório de Produtos Florestais (LPF) do Serviço Florestal Brasileiro mostra que a união de materiais destinados ao lixo pode gerar pisos, solas de sapato, tapetes, entre outros artefatos de borracha.

 A ideia foi colocada em prática pelos pesquisadores Pedro Paulo Penzuti e Maria Eliete de Sousa. “Até então, não se sabia que era possível chegar a um novo produto. Comprovamos que isso é tecnicamente viável”, diz o pesquisador. O estudo levou dois anos e teve recursos de R$ 26 mil.

 Sócia de uma empresa em Brasília que já encheu 100 mil balões com compressor em um único mês para um cliente, Cláudia Rodrigues do Nascimento, comemora a iniciativa. “Após o evento, todos os balões são descartados. Seria ótimo poder reciclá-los. É bom para o meio ambiente”, diz.

 O custo da placa produzida à partir destes resíduos é bem inferior que aquele encontrado para artefatos similares encontrados no mercado, uma vez que a despesa com a aquisição das matéria-primas é praticamente zero. Sua fabricação poderia ser uma alternativa sustentável aos pisos tradicionalmente encontrados no mercado, que usam derivados do petróleo e custam cerca de R$ 40,00 o metro quadrado.

 O reaproveitamento de resíduos das indústrias de látex, a exemplo dos balões e luvas, além da serragem, reduz o volume de resíduos na natureza e ajuda a dar uma destinação para derivados do látex natural, que além de não serem reciclados, não são biodegradáveis. “À época da execução do projeto, não tínhamos conhecimento que esses materiais fossem reaproveitados industrialmente”, afirma Penzuti, que atua na área de borrachas há 30 anos.

 O impacto de balões e luvas usados podem ser medidos pelos números. As indústrias que fabricam produtos de entretenimento e de saúde com látex, matéria-prima dos produtos usados na pesquisa, respondem por quase 10% da produção de artigos que usam borracha, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Artefatos de Borracha.

 E a tendência de uso de borracha natural é crescente. Em 2008, o setor produtivo brasileiro consumiu mais de 350 mil toneladas do produto, número deve chegar a 500 mil em 2020, segundo o Instituto Agronômico do Estado de São Paulo.

 A serragem, por outro lado, não tem o problema de não se degradar, como o látex, mas responde por outro grande passivo ambiental. Para cada metro cúbico de madeira serrada, é gerada a mesma quantidade de resíduo. O Brasil, além de ser um dos maiores produtores de madeira, com 24,5 milhões de metros cúbicos de madeira em tora em 2004, também é um dos maiores consumidores de produtos feitos do material.

 

Processo

A fabricação da placa é relativamente simples. Os balões, luvas e serragem são colocados em um misturador junto com produtos químicos para facilitar a mistura. Em aproximadamente 30 minutos, está pronta uma folha de borracha com a superfície rugosa. Essa folha é levada para uma prensa aquecida a 145ºC por 15 minutos, que transforma a manta em uma placa lisa vulcanizada.

 Os testes mostraram ser possível fazer uma placa contendo serragem em quantidade cinco vezes maior que a de balões/luvas, ou seja, 500% de madeira para cada 100% de látex. Nessa proporção, a peça apresentou-se firme e com uma boa performance, cuja aplicação industrial dependerá das condições de sua utilização.

 No caso de calçados, existe restrição. “Para os solados, que precisam de uma boa resistência à abrasão, a quantidade de serragem não pode passar de 50%”. afirma Penzuti. Os pesquisadores testaram a resistência do material com uma máquina que simula o desgaste de um calçado.

A tecnologia ainda depende de estudos de viabilidade econômica para chegar ao mercado, mas acredita-se que há grandes chances de o produto seja rentável. “As placas usam dois resíduos em altíssimas concentrações. O estudo mostrou a viabilidade técnica e provavelmente, há a econômica também”,  afirma Penzuti.

 

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