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Especialistas apontam prioridades para pesquisas sobre manejo florestal no Brasil

  • Publicado: Segunda, 31 de Maio de 2010, 12h29
  • Última atualização em Quinta, 15 de Março de 2018, 20h28

Evento reuniu pesquisadores nacionais e internacionais, além de celebrar 30 anos de Pesquisa Florestal na Flona Tapajós

 

Desenvolver redes de pesquisas sobre manejo florestal; associar o conhecimento tradicional ao científico; aumentar a produtividade e a variedade de usos das florestas, criar condições para as iniciativas de manejo florestal comunitário e aproveitar referências bem sucedidas de outros países para o manejo e a gestão florestal. Essas foram algumas das prioridades para a pesquisa sobre manejo florestal apontadas pelos cerca de 250 participantes do Simpósio de Manejo Florestal da Amazônia Brasileira e Seminário de Comemoração dos 30 anos de Pesquisa Florestal na Flona Tapajós. O evento reuniu pesquisadores, empresários, representantes de órgãos do governo e comunitários do Brasil, além de peritos de 10 países, entre 18 e 21 de maio, em Santarém, no Pará. A atividade foi promovida pelo Serviço Florestal Brasileiro e pela Embrapa Amazônia Oriental.

"Além do balanço sobre as pesquisas em manejo florestal, o evento serviu para discutir a inclusão de novos temas no contexto das Unidades de Manejo Florestal, por exemplo, os serviços ambientais, tais como sequestro de carbono e conservação da biodiversidade.", avalia o Gerente Executivo de Informações Florestais do Serviço Florestal Brasileiro, Joberto Freitas.

 

 Manejo Comunitário e uso múltiplo das florestas

Diversos pesquisadores destacaram a importância do manejo florestal feito por comunidades. O pesquisador Jean Dubois, com mais 30 anos de experiência em manejo florestal na Amazônia, afirmou que o futuro do manejo passa pelo trabalho comunitário. Segundo ele, é necessário investir em pesquisas visando harmonizar a relação das comunidades com a floresta. "O ribeirinho tradicionalmente não cria gado, ele vive da floresta. É necessário que as políticas públicas e as pesquisas favoreçam essa vocação", avalia Dubois. Em relação aos produtos não madeireiros, os participantes apontaram a necessidade de pesquisas que tratem da integração do manejo desse tipo de produtos, com a exploração madeireira e com os serviços ambientais para garantir o uso múltiplo das florestas.

 

Experiências internacionais: monitoramento e biodiversidade 

Em outros países, também é crescente a importância do manejo comunitário. Erneste Foli, do Instituto de Pesquisa Florestal de Gana (Forig - sigla em inglês), destacou que cerca de 80% da população de seu país usa medicamentos feitos a base de ervas coletadas por comunidades. A necessidade de monitoramento contínuo para verificar impactos no longo prazo sobre solo e água foi uma das reflexões apresentadas por Ismail Harum, da Malásia, país da Ásia - onde o manejo florestal é praticado há mais de 100 anos. Harum  também apontou a importância de pesquisas que respondam expectativas atuais como, por exemplo, calcular o carbono nas florestas.

Em relação à manutenção da biodiversidade nas áreas manejadas, a pesquisadora Michele Pinard, da Universidade de Aberdeen, afirmou que a opção boliviana de não se retirar árvores com baixa densidade (poucos exemplares na floresta) seria uma possibilidade para garantir as sementes das espécies.

 

30 anos de pesquisa na Flona Tapajós

Simultaneamente ao Simpósio, ocorreu o Seminário de Comemoração dos 30 anos de Pesquisa Florestal no Km 67 da Floresta Nacional (Flona) do Tapajós - distante 30 km de Santarém. As pesquisas em manejo realizadas no local começaram em 1975 e foram conduzidas ao longo dos anos por pesquisadores e técnicos da Embrapa Amazônia Oriental. A exploração propriamente dita foi realizada em 1979 sobre 63 espécies comerciais, entre elas andiroba, jarana, jatobá, maçaranduba e abiurana. Na ocasião foram retiradas da área 16 árvores por hectare, o que equivalente a 72 m3/ha, índices acima dos padrões atuais de exploração.

"Esse trabalho construiu as bases do Sistema Silvicultural Brasileiro, hoje, por exemplo, sabe-se que uma exploração de impacto reduzido preconiza a retirada de no máximo 5 árvores por hectare", explica o engenheiro florestal Olegário Carvalho. Os estudos no Km 67 serviram de base para definição dos parâmetros e da estrutura institucional para o manejo florestal na Amazônia, sendo fundamentais para a construção da atual legislação sobre o tema.

Segundo o diretor do Serviço Floresta, Natalino Silva, 28 anos após a exploração as fases de crescimento das árvores se assemelham a de uma floresta não explorada. O manejo também não causou alterações importantes na diversidade de espécies. "Trinta anos após a exploração há um estoque de espécies comerciais suficiente para uma nova colheita, obedecendo a atual regulamentação para o manejo florestal na Amazônia", destaca Silva.

 

Pequisas e políticas públicas

A diretora executiva da Embrapa, Tatiana Sá, apresentou outro desafio para as pesquisas sobre manejo: "Estamos com resultados importantes, mas temos muito que aprimorar. O acúmulo não é restrito às florestas, mas sobre os habitantes também. No entanto, esse acúmulo setorial deve se transformar em políticas públicas."

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