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Assentamentos com manejo florestal estão entre primeiros do Piauí a receber Bolsa Verde

28/05/2014

Assentamentos do Piauí com manejo florestal recebem Bolsa Verde

Assentamentos do Piauí com manejo florestal recebem Bolsa Verde

Agricultores familiares conservam quase o dobro de cobertura florestal que determina a legislação ambiental. Programa Bolsa Verde valoriza famílias que mantêm florestas


Agricultores familiares que recebem apoio do Serviço Florestal Brasileiro (SFB) para realizar o manejo florestal sustentável em assentamentos do Piauí estão entre os primeiros beneficiários do Programa Bolsa Verde no estado.

O Programa de Conservação Ambiental Bolsa Verde é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e concede, a cada trimestre, um benefício de R$ 300,00 às famílias em situação de extrema pobreza que vivem em áreas consideradas prioritárias para conservação ambiental e fazem o uso sustentável de recursos naturais, em atividades como o manejo florestal.

“É sem dúvida o reconhecimento do serviço ambiental que os assentados prestam. E por outro lado possibilita a sociedade perceber que assentamentos também promovem a sustentabilidade. Assentados e assentamentos são vistos muitas vezes como degradadores e o Bolsa Verde é uma forma de a sociedade perceber que não”, afirma o engenheiro florestal responsável pelos planos de manejo das famílias, Cristiano Cardoso, ligado à Fundação Apolônio Salles (Fadurpe), organização contratada pelo SFB para a prestação de assistência técnica florestal aos assentamentos.

Segundo a agricultora familiar Francisca Iolanda Silva, do assentamento Serra do Batista, localizado no município de Lagoa Seca, o recurso tem sido útil na compra de remédios e de alimentos. “Ajuda demais, é muito bom”, diz.

Sustentabilidade

Por meio do manejo, as cerca de 30 famílias podem extrair, de forma sustentável, produtos madeireiros e não-madeireiros da Caatinga, como lenha, mel, forragens e frutos. A área destinada a essa atividade nos assentamentos beneficiados – Arizona I, Arizona II, Canaã e Serra do Batista, todos localizados em Lagoa Seca – soma mais de 2.000 hectares.

A engenheira florestal da Unidade Regional Nordeste do SFB, Maria Auxiliadora Gariglio, afirma que essa atividade econômica contribui duplamente para a conservação do bioma. Primeiro, porque o manejo mantém a floresta em pé. Ao adquirir valor e ajudar na renda, a vegetação não é desmatada.

“O Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) é um ótimo instrumento de conservação ambiental, pois usa apenas 1/15 da área total por ano, todo o resto está conservado, porque não pode caçar, não pode pôr fogo e não pode cortar. Os outros 14/15 que não podem ser manejados naquele ano estão absolutamente conservados”, afirma.

O segundo motivo é que o assentamento só tem seu PMFS autorizado se estiver em dia com toda a legislação ambiental. “Essa é outra vantagem do manejo. O assentamento necessariamente precisa se adequar às questões ambientais, como ter reserva legal averbada, área de preservação permanente mantida e licenciamento aprovado. O Plano só é aprovado depois que todas essas questões estão resolvidas”, diz.

O resultado é que a área conservada vai bem além dos 20% que a lei exige para propriedades rurais na Caatinga. Somados com a área do manejo, os assentamentos atendidos apresentam 38%, ou seja, quase o dobro, da vegetação conservada.

Os assentamentos apoiados pelo SFB são pioneiros em diversos aspectos: foram os primeiros do estado a realizar o manejo florestal e os primeiros a formar uma brigada florestal voluntária contra incêndios. Após começarem a trabalhar com o manejo, os agricultores adicionaram uma fonte de renda além da agricultura e criação de pequenos animais, e poderão avançar ainda mais, pois já pensam em montar uma serraria para agregar valor à madeira do manejo.

Além do Piauí, o SFB também apóia a prestação de assistência técnica florestal em assentamentos na Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte.
 

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