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Levantamento revela amplo panorama das florestas no Ceará

  • Última atualização em Sexta, 30 de Dezembro de 2016, 13h27

Cerca de 57% do estado do Ceará, o equivalente a 8,5 milhões de hectares, é coberto por tipologias consideradas florestais. A Caatinga predomina em 88% dessas áreas. Há também áreas de cerrado e florestas (do tipo ombrófila, estacional e pioneira). Para mapear a qualidade e condição dessas florestas, o Inventário Florestal Nacional (IFN) no Ceará coletou dados em 457 pontos distribuídos sistematicamente sobre todo o território, por um período de quase um ano.  

O IFN foi realizado no Ceará pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB) em parceria com a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace).  

Em cada área foram medidas as árvores, colhidas amostras do solo, coletadas mais de 2 mil amostras botânicas (folhas, flores e frutos) para identificação das espécies, entre outros dados. Também foram realizadas entrevistas com 1.034 moradores rurais que vivem no entorno das áreas pesquisadas para conhecer a percepção da comunidade sobre os recursos florestais e seu uso.  

Com mais de 148 mil quilômetros quadrados e 184 municípios, o Ceará possui quase 8,5 milhões de habitantes e está localizado na sub-região do sertão nordestino, uma área caracterizada pelo clima semiárido. Possui 12 Unidades de Conservação federais, 27 estaduais e 13 municipais.  

O estudo identificou 776 espécies vegetais, entre elas, 346 espécies de árvores. O marmeleiro foi a árvore mais encontrada na região. Já a carnaúba foi a mais abundante em áreas fora de florestas. Cerca demetade das árvores analisadas foram consideradas sadias. A outra metade, no entanto, apresentava algum tipo de comprometimento: 14% das árvores encontravam-se mortas e 35% apresentaram algum nível de deterioração.

Os pesquisadores encontraram, pela primeira vez, a presença de 104 espécies vegetais no Ceará. Destas novas ocorrências, 54 eram espécies arbóreas, sendo quatro originárias do Cerrado, oito da Mata Atlântica e três amazônicas. O cedro e a garapa, que estão na lista oficial do Ministério do Meio Ambiente de espécies ameaçadas de extinção, foram encontradas em áreas inventariadas.  

Nos questionários aplicados junto à população, três em cada quatro pessoas entrevistadas afirmaram utilizar a floresta de alguma maneira. Destes, 84% fazem uso doméstico da madeira e 16% uso comercial. Postes, estacas e lenha são os principais usos da madeira, segundo os entrevistados. Já as cascas, os frutos e o mel são os produtos não madeireiros mais utilizados, 76% dos entrevistados afirmaram fazer uso desses recursos, a maior parte deles faz uso não comercial.  

Em 81% dos locais amostrados foram observadas evidências de antropismo. A principal delas é a presença ou vestígios de animais domésticos de grande porte, como gado, em 67% das áreas analisadas pelo IFN. Sinais de incêndios foram o segundo fator mais registrado, em 42% dos locais.

O lançamento aconteceu no dia 9 de dezembro, em cerimônia em Fortaleza, com a presença do diretor de Pesquisa e Informações Florestais do SFB, Joberto Veloso de Freitas, do governador do Ceará, Camilo Santana, do secretário do Meio Ambiente do Ceará, Artur José Vieira Bruno, e do superintendente estadual do Meio Ambiente, José Ricardo Araújo Lima.

O estado é o terceiro a ter os resultados do IFN divulgados. O Inventário Florestal Nacional de Santa Catarina e do Distrito Federal também já estão disponíveis no site do SFB.  

Acesse os resultados do IFN no Ceará.

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